Las primeras frutas

Estaba pensando en tu boca,
Lo suave y bronco que besabas,
El tiempo que empleabas jugando con mis labios,
Tu lengua buscando las semillas doradas
Que dormían sobre el lecho del río.
Estaba pensando en tu torso,
Lleno de pecas hasta la cintura,
Foresta del atardecer desde el límite
Hasta el final del tiempo.
Estaba pensando en tus dientes,
Filo de la sorpresa, liquen de la abundancia,
Marcando mi carne como la nevisca sobre campos de cosecha.
Estaba pensando en tus rizos de azafrán,
Trazas de pistilos que se escondían
Entre las primeras frutas de un sabido rumor.
Estaba pensando qué equivocado estaba
Creyendo que huía de ti lo suficiente como para olvidar
Y no buscarte nunca más entre otros rosales.

First fruits

I was thinking of your mouth,
How soft and rough you kissed,
How much time you spent playing with my lips,
Your tongue searching for the golden seeds
Sleeping over the depth of the river.
I was thinking of your chest,
Full of freckles down to waist;
Sunset forest from the border to the end of time.
I was thinking of your teeth,
Edge of surprise, lichen of abundance,
Grabbing my flesh like snow flurry over fields of harvest.
I was thinking of your saffron curly hair,
Pistil traces hiding through the first fruits of a certainly noise.
I was thinking how wrong I was
Pretending I run away from you
Enough to forget
And never look for you in another rose shrubs.

As primeiras frutas

Estava pensando em tua boca,
O suave e rude que beijavas,
O tempo que empregavas jogando com meus lábios,
Tua língua procurando as sementes douradas
Que dormiam sobre o leito do rio.
Estava pensando em teu peito,
Cheio de pecas até a cintura,
Floresta do entardecer desde o limite
Até o final do tempo.
Estava pensando em teus dentes,
Fio da surpresa, fungo da abundância,
Marcando minha carne como a nevasca sobre campos de colheita.
Estava pensando em teus cabelos encaracolados de açafrão,
Traças de *pistilos que se escondiam
Entre as primeiras frutas de um sabido rumor.
Estava pensando que equivocado estava
Crendo que fugia de ti o suficiente para esquecer
E não te procurar nunca mais entre outras roseiras.

(Madrid, 11, 7, 2005)